A MINHA LISBOA
Lisboa arde não em chamas
mas de uma luz crua
rasga as colinas como um grito antigo
preso na garganta da rua.
As pedras são memórias
os becos segredos no peito
e cada esquina é um corpo inclinado
ao desejo inquieto do tempo desfeito.
Subo-te ó cidade
como quem sobe um amor impossível
entre o cansaço das pernas
e a febre de um sonho indescritível.
O castelo ergue-se forte, quase ferido
sentinela de tudo o que foi e ficou
olhos de pedra cravados no infinito
de tudo o que o mundo levou.
E o Tejo…
sim o Tejo não passa, ele chama
abraça a cidade num gesto profundo
como se Lisboa fosse uma mulher que chama
e ele o silêncio mais fundo do mundo.
Há um vibrar nas tuas ruas estreitas
como um coração que nunca se cansa
eco de tantas vozes desfeitas
que ainda insistem em ser esperança.
Lisboa não se diz, sente-se
não se explica arrebata
é uma ferida aberta que arde na mente
é um beijo de sal que nunca se mata.
E eu perdido no teu fogo lento,
fico mesmo quando parto
porque amar-te é um desalento
que me preenche… e me parte.
Segundo volume da coletânea literária.
“Lisboa, uma cidade mágica”. - Chiado Books 2026


Sem comentários:
Enviar um comentário