Cinzas, símbolo de nossa pobreza.
Na Quarta-feira de Cinzas
há sempre alguém num banco no fundo da igreja,
no escuro onde a luz apenas repousa.
É onde o coração aprende a falar baixinho.
Entre o desejo de se esconder do mundo,
e a necessidade quase sagrada,
de permanecer por perto,
como quem teme ser visto,
mas teme ainda mais, não ser encontrado.
As cinzas na testa lembram-nos.
que somos pó, mas também um sopro.
O fim e o começo misturados na mesma vida.
No silêncio daquele banco esquecido,
há uma coragem discreta, a recomeçar devagar,
sem aplausos, sem promessas grandiosas
apenas com um “aqui estou” falado ao infinito.
Porque às vezes recomeçar é só isso,
ficar mesmo na sombra, mesmo em cinzas.
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

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